A luta por cidadania não é isolada. Quem levanta a voz contra tantos absurdos, muitas vezes, consegue ser ouvido. No Nordeste, uma mulher, reclamando, mudou a vida dela e de mais 1 milhão de pessoas.
O endereço da reclamação é Rua 207, casa 112, em Nossa Senhora do Socorro, Sergipe. Quando os moradores do bairro precisam resolver algum problema, não procuram nenhum órgão público: eles vão direto à casa de dona Edilma Almeida.
"Reclamamos com Edilma porque ela é guerreira. Ela é quem corre atrás, quem tem mais peito", diz a dona de casa Wilma Solange da Silva.
Prestígio que começou por causa da conta telefônica, que aumentava a cada dia.
"Cada vez que eu ligava para Aracaju ficava irada. Não me conformava", conta Edilma.
O preço de uma ligação para Aracaju era R$ 0,18. Pelo telefone, ia escoando o pouco lucro que vinha da venda de artesanato.
Dona Edilma nunca conseguia entender por que os telefonemas que ela fazia para os clientes em Aracaju apareciam na conta como se fossem interurbanos, feitos para longa distância. Até porque as duas cidades – Nossa Senhora do Socorro e Aracaju – ficam uma do lado da outra. São separadas só por uma ponte, que pode ser atravessada de carro em menos de 30 segundos. Do alto dá para ver que a tal longa distância que aparecia na conta telefônica não é tão longa assim.
"Até hoje não consigo entender onde está a longa distância. Sinceramente, a distância existia só nos valores da conta", diz dona Edilma.
A cidadã inconformada atravessou a ponte e botou a boca no trombone. Ou melhor, procurou o Ministério Público e entrou com uma ação na Justiça contra a companhia telefônica. O juiz federal Edmilson Pimenta lembra bem do dia em que o processo apareceu na mesa dele. Viu em dona Edilma um exemplo para todos os brasileiros.
"O brasileiro deveria reclamar mais dos seus direitos quando eles são violados. Com certeza absoluta, o Judiciário hoje é uma caixa de ressonância da sociedade", diz ele.
A decisão do juiz? Já que a distância não era tão longa, a cobrança de tarifa interurbana foi suspensa não só entre as duas, mas entre cinco cidades da região. O valor da ligação despencou de R$ 0,18 por minuto para R$ 0,13. Ponto para dona Edilma e um processo a menos sobre o armário lotado da sala do juiz federal.
"Acredito que há uma relação direta entre a ética das pessoas e o meu armário. Porque quanto mais eticamente agirem as pessoas no seu relacionamento no dia-a-dia menos processos teremos no Poder Judiciário", avalia Edmilson Pimenta.
"Que as pessoas procurem os direitos, que corram atrás, porque é dessa maneira que vamos conseguir mudar o Brasil", sugere dona Edilma.
Sarah(extraido do globo reporter)

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