quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Passaporte para a caridade



Daniel, Antônio e Irmã Frida são estrangeiros que descobriram que, se o Brasil é o país do futuro, alguém tem que dar chance a quem vai fazer o futuro. Daniel nasceu na Argentina, viveu exilado na França e há 13 anos chegou à Fortaleza. Ele é casado com uma cearense.
"Quando eu cheguei ao Ceará a coisa que mais me impressionou foi a miséria. Eu vi algumas cenas dantescas", revela o argentino. Mas as crianças de uma escola pública da grande Fortaleza estão encontrando um caminho para se livrar daquelas condições que Daniel encontrou quando chegou ao Ceará.
É dele a idéia do jornalzinho que promove a cidadania em 130 escolas públicas do estado. O jornal é feito pelos alunos, para os alunos, sem nenhuma interferência da escola. O quartel general desse projeto é o Centro de Comunicação e Cultura, uma organização não governamental já premiada pela UNICEF.
"A condição para entrar no projeto e fazer o jornalzinho é o respeito ao código de ética de três pontos muito simples: promover os direitos humanos, não utilizar a publicação para promoção pessoal e partidária e dar direito de resposta", explica Daniel.
"Os meninos encontram no projeto um espaço de amizade, um espaço de afetividade, um espaço que ajuda eles se envolverem, valorizamos o que eles são. Você vê que a única coisa que eles estão pedindo é uma chance", diz diretora da escola, Lúcia Ferreira.
O italiano Antônio viu mais que as praias bonitas, no litoral sul da Bahia. Ele descobriu que na periferia de Porto Seguro um novo bairro se formava, de trabalhadores expulsos do campo pela crise do cacau. Um bairro onde as crianças não tinham escola. Não tinham até o ex-padre chegar.
"Me incomodei porque tinha deixado Roma para não ser apenas padre que batiza, reza missa, queria mais", conta Antônio. Fernanda veio com ele. Os dois trabalharam juntos, ela como freira, ele como padre, durante dez anos. Trabalho pesado junto com comunidades de sem-terra no norte da Bahia.
"A gente viu que, mesmo deixando o trabalho oficial da igreja, a gente poderia continuar o mesmo ideal, a mesma luta. Agora muito mais gostosa, porque duas pessoas que se amam e que somam forças".
Começaram com uma casinha. Com ajuda dos amigos e ex-colegas de batina, Antônio e Fernanda foram multiplicando as salas de aulas. Hoje são 530 alunos. Ela é a coordenadora pedagógica, ele faz de tudo.
Essa escola tem um nome especial, significa "Libertus", que quer dizer o escravo que se torna livre. No sonho tinha o desejo do escravo da ignorância que se torna livre através da sabedoria. "Nós conseguimos resgatar muitas crianças da rua e colocá-las na escola", orgulham-se.

Nenhum comentário:

alguns sites para estudos

  • http://br.geocities.com/simply.jolie
  • http://www.portalanjo.com/cruz/tereza.htm
  • www.e-biografias.net
  • www.estudnet.com
  • www.gandhi.hpgvip.ig.com.br
  • www.globoreporter.com
  • www.jornaldaciencia.org.br
  • www.lutherking.hpgvip.ig.com.br
  • www.migalhas.com.br
  • www.padrecicero.com.br