Braços amigos levam Maria da Penha para mais um encontro com parentes de mulheres vítimas de violência no Ceará. Há 23 anos, ela levou um tiro e perdeu o movimento das pernas. O tiro foi disparado pelo próprio marido.
"Ela é uma pessoa guerreira, muito batalhadora, que acredita muito na Justiça", comenta a auxiliar de enfermagem Maria Veríssimo Magalhães.
Era tanta fé na Justiça que ela não teve medo de lutar para ver na prisão o homem que mudou seu destino.
"Eu não admitia jamais sofrer uma lesão dessa gravidade toda e a pessoa que fez isso comigo ficar livre. Ele precisava ser punido", diz Maria da Penha.
Farmacêutica, mãe de três filhas, casada com um colombiano naturalizado brasileiro, Maria da Penha tinha uma vida tranqüila até o dia em que foi despertada para um pesadelo. "Eu acordei com um tiro nas costas. Escutei um estampido, e o tiro foi direcionado para mim", conta.
Um tiro disparado por assaltantes que invadiram a casa durante a madrugada. Essa foi a versão contada pelo marido de Maria da Penha na época. Mas tudo não passou de uma farsa. Com as investigações, a polícia começou a desconfiar que foi ele próprio quem atirou na mulher enquanto ela dormia. Quatro meses depois, Maria da Penha teve a certeza: dividia a cama com o homem que tinha tentado assassiná-la.
Foi o fim da história de um casal que se conheceu na Universidade de São Paulo (USP) e o início de uma trama cheia de contradições. Maria da Penha lembra quando percebeu uma mudança na personalidade do marido: "No momento em que ele foi naturalizado brasileiro, ele conseguiu seu objetivo e mudou totalmente de conduta. Começou a se tornar uma pessoa bastante agressiva, não só em relação a mim, mas aos próprios filhos".
A tentativa de homicídio aconteceu em 1983. O ex-marido de Maria da Penha foi duas vezes a julgamento. Condenado, recorreu e continuou em liberdade.
"Nesta circunstância, Marco Antônio Heredia Viveros, único responsável por minha prisão perpétua em cadeira de rodas, aguarda, gozando em total liberdade, que seja determinada a data para ser submetido novamente ao Tribunal de Júri", escreveu na ocasião.
Hoje, aos 61 anos de idade, Maria da Penha voltou a morar na casa dos pais. Para amenizar a dor, escreveu um livro contando sua história. Um drama que levou o Brasil a um julgamento internacional.
Em abril de 2001, o país foi condenado pela Corte Interamericana de Justiça pela demora em julgar crimes desse tipo. A Organização dos Estados Americanos (OEA) também recomendou ao governo federal que tomasse medidas mais enérgicas nos casos de violência contra a mulher.
"A OEA solicitou uma indenização material e outra simbólica. A simbólica está sendo feita, porque eu recebi a lei em meu nome. Para mim, não poderia ter sido uma reparação melhor", diz Maria da Penha.
Tudo que Maria da Penha quer agora é rigor na implantação e estrutura para que a lei seja realmente cumprida. Aposentada por invalidez e mesmo com as limitações físicas, continua com forças para buscar justiça não só para ela, mas para todas as vítimas de violência no Brasil
"Ela é uma pessoa guerreira, muito batalhadora, que acredita muito na Justiça", comenta a auxiliar de enfermagem Maria Veríssimo Magalhães.
Era tanta fé na Justiça que ela não teve medo de lutar para ver na prisão o homem que mudou seu destino.
"Eu não admitia jamais sofrer uma lesão dessa gravidade toda e a pessoa que fez isso comigo ficar livre. Ele precisava ser punido", diz Maria da Penha.
Farmacêutica, mãe de três filhas, casada com um colombiano naturalizado brasileiro, Maria da Penha tinha uma vida tranqüila até o dia em que foi despertada para um pesadelo. "Eu acordei com um tiro nas costas. Escutei um estampido, e o tiro foi direcionado para mim", conta.
Um tiro disparado por assaltantes que invadiram a casa durante a madrugada. Essa foi a versão contada pelo marido de Maria da Penha na época. Mas tudo não passou de uma farsa. Com as investigações, a polícia começou a desconfiar que foi ele próprio quem atirou na mulher enquanto ela dormia. Quatro meses depois, Maria da Penha teve a certeza: dividia a cama com o homem que tinha tentado assassiná-la.
Foi o fim da história de um casal que se conheceu na Universidade de São Paulo (USP) e o início de uma trama cheia de contradições. Maria da Penha lembra quando percebeu uma mudança na personalidade do marido: "No momento em que ele foi naturalizado brasileiro, ele conseguiu seu objetivo e mudou totalmente de conduta. Começou a se tornar uma pessoa bastante agressiva, não só em relação a mim, mas aos próprios filhos".
A tentativa de homicídio aconteceu em 1983. O ex-marido de Maria da Penha foi duas vezes a julgamento. Condenado, recorreu e continuou em liberdade.
"Nesta circunstância, Marco Antônio Heredia Viveros, único responsável por minha prisão perpétua em cadeira de rodas, aguarda, gozando em total liberdade, que seja determinada a data para ser submetido novamente ao Tribunal de Júri", escreveu na ocasião.
Hoje, aos 61 anos de idade, Maria da Penha voltou a morar na casa dos pais. Para amenizar a dor, escreveu um livro contando sua história. Um drama que levou o Brasil a um julgamento internacional.
Em abril de 2001, o país foi condenado pela Corte Interamericana de Justiça pela demora em julgar crimes desse tipo. A Organização dos Estados Americanos (OEA) também recomendou ao governo federal que tomasse medidas mais enérgicas nos casos de violência contra a mulher.
"A OEA solicitou uma indenização material e outra simbólica. A simbólica está sendo feita, porque eu recebi a lei em meu nome. Para mim, não poderia ter sido uma reparação melhor", diz Maria da Penha.
Tudo que Maria da Penha quer agora é rigor na implantação e estrutura para que a lei seja realmente cumprida. Aposentada por invalidez e mesmo com as limitações físicas, continua com forças para buscar justiça não só para ela, mas para todas as vítimas de violência no Brasil

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